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 “Levanta-te santifica o povo, e dize-lhe: Santificai-vos para amanhã, pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Anátema há no meio de ti, Israel; não poderás suster-te diante dos teus inimigos, enquanto não tirares do meio de ti o anátema.” (Js 7:13)

  Esta é uma verdade terrivelmente dura de ouvirmos, porém vitalmente necessária. O livro de Josué é um dos mais ricos manuais de batalha espiritual. Através deste episódio vamos entender algumas verdades fundamentais para prevalecermos com Deus.

1) Fechar as brechas

 Toda derrota tem um motivo que precisa ser mapeado e corrigido.  Esta é a função da liderança, do pai de familia, do empresario, do Pastor. Perguntar a Deus os porquês e tratar duramente com o pecado. A tarefa mais árdua da liderança é não permitir pecados não resolvidos.

“Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou com o rosto em terra perante a arca do Senhor até a tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças.” (Js 7:6)

É preciso evitar as maldições: Deus é um Deus de alianças. Aliança é um compromisso mútuo de fidelidade aos mesmos termos. Do conceito de aliança também vem o conceito de bênção e maldição, voluntariamente invocadas em virtude da nossa responsabilidade.

“E aquele que for tomado com o anátema, será queimado no fogo, ele e tudo quanto tiver, porquanto transgrediu o pacto do Senhor, e fez uma loucura em Israel.” (Js 7:15)

Não se pode quebrar uma aliança sem sofrer os danos. Não se pode honrar uma aliança sem ser poderosamente abençoado.

Vamos ver onde Israel pecou:

a)    Menosprezaram os inimigos.

“Voltaram a Josué, e disseram-lhe: Não suba todo o povo; subam uns dois ou três mil homens, e destruam a Ai. Não fatigues ali a todo o povo, porque os habitantes são poucos. Assim, subiram lá do povo cerca de três mil homens, os quais fugiram diante dos homens de Ai.” (Js 7:3,4)

É assim que acabamos tendo nossas maiores derrotas: onde menos imaginaríamos. Menosprezo está ligado à independência e orgulho. Depois de uma grande vitória como foi em Jericó, é necessário manter-se na dependência de Deus. É nestes momentos que precisamos exercitar humildade.

     Deus deixou bem claro para que eles não desprezassem o inimigo:

“Então disse o Senhor a Josué: Não temas, e não te espantes; toma contigo toda a gente de guerra, levanta-te, e sobe a Ai. Olha que te entreguei na tua mão o rei de Ai, o seu povo, a sua cidade e a sua terra.” (Js 8:1)

b) Desobediência– tomar do amaldiçoado – Js 6:17-18 (O zoom de Deus).

“Então Josué se levantou de madrugada, e fez chegar Israel segundo as suas tribos, e foi tomada por sorte a tribo de Judá; fez chegar a tribo de Judá, e foi tomada a família dos zeraítas; fez chegar a familia dos zeraítas, homem por homem, e foi tomado Zabdi; fez chegar a casa de Zabdi, homem por homem, e foi tomado Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá. Então disse Josué a Acã: Filho meu, dá, peço-te, glória ao Senhor Deus de Israel, e faze confissão perante ele. Declara-me agora o que fizeste; não mo ocultes. Respondeu Acã a Josué: Verdadeiramente pequei contra o Senhor Deus de Israel, e eis o que fiz: quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma cunha de ouro do peso de cinqüenta siclos, cobicei-os e tomei-os; eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata debaixo da capa.” (Js 7:16-21)

Há muitas coisas que conseguimos que fazem muito mais mal do que bem. Pessoas que ocultam pecados ou que mantém em seu poder objetos roubados ou adquiridos injustamente tornam-se duramente subjugadas a derrotas contínuas e jamais conseguem prosperar. É indispensável tratar com estas coisas e pessoas. A vitória fica retida.

Precisamos achar onde estão os anátemas da nossa vida, nossa família, nossa igreja, nosso bairro, nossa cidade, nossa nação, etc. Arrependimento, confissão e restituição são palavras que resumem o único meio de sair deste poço.

     Alguns aspectos que nos ajudam a desviar-nos da desobediência

- Vencer a cobiça

Quando vamos conquistar uma terra precisamos derrotar nossa cobiça. Este é o primeiro inimigo a derrotarmos. Só assim nossa motivação estará afinada com o propósito de Deus. O princípio de conquistar não é explorar, mas servir a Deus com generosidade e gratidão.

- Obedecer orientações

Obedecer orientações é em si mesmo um dos mais altos atos de batalha espiritual. Precisamos construir nas nossas vidas um espírito de submissão se queremos prevalecer na batalha espiritual. Quando uma pessoa desobedece uma orientação clara dada a um grupo de pessoas, pode se tornar o ponto de apoio para uma derrota generalizada.

- Consciência de corpo

Este é um dos ensinamentos mais importantes neste episódio. Precisamos entender a responsabilidade pessoal que envolve uma batalha espiritual. Um dos mais relevantes princípios de batalha espiritual é o entendimento corporativista. Nosso pecado afeta e compromete o corpo. Por isto também a intercessão por identificação pode também afetar todo o corpo. Deus não falou em primeira instância que Acã pecou, mas que Israel pecou.

Israel pecou; eles transgrediram o meu pacto que lhes tinha ordenado; tomaram do anátema, furtaram-no e, dissimulando, esconderam-no entre a sua bagagem.” (Js 7:11)

2) Lidar com o fracasso

Fracassos trazem traumas, incredulidade, auto-depreciação e desistência.

“E os homens de Ai mataram deles cerca de trinta e seis e, havendo-os perseguido desde a porta até Sebarim, bateram-nos na descida; e o coração do povo se derreteu e se tornou como água.” (Js 7:5)

Um fracasso é tudo que o diabo precisa para traçar um ataque fulminante. Deus ensinou a Josué, que reagir com desespero diante do fracasso é a primeira coisa a não se fazer.

“Ah, Senhor! que direi, depois que Israel virou as costas diante dos seus inimigos? Respondeu o Senhor a Josué: Levanta-te! por que estás assim prostrado com o rosto em terra?” (Js 7:8 e 10)

O início de qualquer trabalho é duramente provado pela sensação de fracasso. O fracasso é o adubo da maturidade. Sob a ótica de Deus fracassos são de muita serventia. Servem para apontar coisas a resolver, posições indispensáveis a tomar, pecados a serem expostos e tratados, maldições a quebrar. O que Deus está querendo nos dizer? Vamos aprender através dos fracassos.

3) Estratégia através do fracasso

Guerras exigem estratégias, conselhos e planos adequados. Porém não existe nenhum poder na estratégia, o poder está em ouvir e obedecer a orientação de Deus. Este texto é mais que o simples fato de uma guerra, mas é um modelo que exalta a possibilidade de construirmos uma vitória tendo como matéria prima um fracasso. A vitória em muitas vezes não é uma coisa imediata. Por isto a capacidade de sermos trabalhados por derrotas é uma das principais componentes da vitória. Um princípio sobre estratégia de batalha espiritual é que o fracasso vai fazer parte da vitória. Deus sabe como aproveitar nossos fracassos e transformá-los em experiências positivas.

“E deu-lhes ordem, dizendo: Ponde-vos de emboscada contra a cidade, por detrás dela; não vos distancieis muito da cidade, mas estai todos vós apercebidos. Mas eu e todo o povo que está comigo nos aproximaremos da cidade; e quando eles nos saírem ao encontro, como dantes, fugiremos diante deles. E eles sairão atrás de nós, até que os tenhamos afastado da cidade, pois dirão: Fogem diante de nós como dantes. Assim fugiremos diante deles; e vós saireis da emboscada, e tomareis a cidade, porque o Senhor vosso Deus vo-la entregará nas mãos. Logo que tiverdes tomado a cidade, pôr-lhe-eis fogo, fazendo conforme a palavra do Senhor; olhai que vo-lo tenho mandado.” (Js 8:4-8)

Josué ordenou uma emboscada por trás da cidade e quando os outros atacaram pela frente, simularam que estavam sendo novamente derrotados. Tiraram o inimigo da fortaleza. Enquanto isto, a emboscada atacou a cidade abandonada e a queimou. Depois fecharam o cerco em campo aberto até exterminarem a todos os inimigos. Com isto a primeira derrota passou a ser parte de toda uma estratégia onde Ai foi totalmente tomada. Deus curou a ferida da nação!

4) Intercessão – cobertura sobrenatural

“Ora, todos os que caíram naquele dia, assim homens como mulheres, foram doze mil, isto é, todos os de Ai. Pois Josué não retirou a mão, que estendera com a lança, até destruir totalmente a todos os moradores de Ai.” (Js 8:25,26)

Trabalho completo de intercessão. Não retirar a mão. Precisamos manter uma constância na oração de conquista. Esta é uma chave para derrotarmos espíritos territoriais. Este ato de Josué é semelhante à ação de Moisés durante a luta de Israel com os amalequitas. Josué aprendeu esta persistência na intercessão com seu pai espiritual Moisés.

“Fez, pois, Josué como Moisés lhe dissera, e pelejou contra Amaleque; e Moisés, Arão, e Hur subiram ao cume do outeiro. E acontecia que quando Moisés levantava a mão, prevalecia Israel; mas quando ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque. As mãos de Moisés, porém, ficaram cansadas; por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, e ele sentou-se nela; Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até o pôr do sol. Assim Josué prostrou a Amaleque e a seu povo, ao fio da espada.” (Ex 17:10-13)

       Se a liderança prevalece, o povo prevalece. Se a liderança não prevalece e cansa, o povo sofre e perde.

“Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.” (At 6:4)

Quem disse isto? Os líderes da igreja. Este também foi o grande segredo da igreja primitiva: oração perseverante da liderança. O maior laço para uma liderança é quando ela se torna tão ocupada que não tem mais tempo para orar.